sábado, 17 de março de 2007

Suara Timor Lorasae (STL) aproveita eleições para vender mais jornais

Este jornal diario, Suara Timor Lorosae (STL), conhecido na praça como eminentemente anti-FRETILIN, re-inicia a sua "sondagem de opinião" a partir de hoje.

Na sondagem anterior, o sistema utilizado era o de envio de mensagens por sms para dois números indicados pelo próprio jornal. O candidato da FRETILIN a Presidente da República, Lu-Olo, foi o favorito, seguido de Ramos-Horta e outros.

Desta vez, o jornal liga a expressão de opinião com a compra do próprio jornal. Pois, para se poder expressar o sentido do voto o cidadão terá que comprar o jornal e recortar um boletim existente no próprio jornal, sinalizar o candidato escolhido (como em qualquer boletim de voto) e depositá-lo numa caixa indicada previamente pelo jornal.

A FRETILIN entende que o STL quer aproveitar-se deste período pré-eleitoral e eleitoral para vender mais jornais. Assim, a FRETILIN e o seu candidado declaram que não participarão nesta sondagem, pois não irão contribuir para enriquecer um jornal que é declaradamente contra a FRETILIN e contribuir para extrair dos cidadãos já de si pobres o pouco que ainda têm.

8 comments:

Anónimo disse...

Que grande vergonha...meus compatriotas...
Quer dizer, so a fretilin que pode emitir informações e fazer analizes...
Até os jornais a fretilin quer tirar o direito...
Não acredito...a fretilin tem medo da verdade...?
Desta forma, a fretilin não vai conseguir sobreviver numa ambiente livre e democratico...
O Povinho que a fretilin sempre imaginava ja não existe...
O povinho tem mais experiencia politica pratica do que os lideres radicais da fretilin/frelimo...
As grandes lições da vida provêm do povo...
Mais uma lição que vamos esperar...
Boa sorte!

Anónimo disse...

Que grande vergonha...!
So a fretilin detem o deireito de informação...
Os media ja estaõ a ser criticados...
Não acredito...a fretilin tem medo da verdade....!
Com a fretilin o povonho não sonhar a liberdade e a democracia...porque a não quer... e so usa a domocracia como o Soeharto usou, para oprimir o Povu e iludir a comunidade international...

LU-OLO ba PRESIDENTE Timor-Leste disse...

A grande verdade de que alguns, que tem vergonha do seu passado, tem medo chama-se FRETILIN. Por isso, a FRETILIN nao se compadece com farsas, boatos, mentiras e rumores. a FRETILIN respeita todos aqueles que sabem ser objectivos na informacao que transmitem ao publico. e a FRETILIN rejeita todos aqueles que se aproveitam da situacao da crise para irradiar noticias inventadas sem o minimo de etica e de brio profissional. Por fim, a FRETILIN tem todo o direito de se recusar a participar em farsas. Porque entao esta reaccao de quem se esconde no anonimato? Este blog nao foi aberto para polemicas, mas sim para iniciar uma dinamica de vitoria. E procuraremos sempre respeitar os outros, pequenos ou grandes adversarios.

Anónimo disse...

Ouvimos aqui que o candidato Ramos-Horta anda a usar a imagem do Papa para fazer as suas campanhas eleitorais. Pode comentar mais sobre isto? Seria possível postar uma amostra de material de campanha para este blog?

Muito obrigada.

Margarida disse...

Se o Horta anda ou não com materiais do papa nã campanha não sei, mas no ano passado, quando começou a crise, por alturas da páscoa, vi eu na TV portuguesa mas também na CNN, BBC, Sky News, e em fotos de muitos jornais o Horta com uma t-shirt com imagens religiosas no peito, de calções e xanatas. E logo na altura me fez muita confusão o despaupério da vestimenta, porque então ele era o ministro dos estrangeiros de TL e não o enviado do Vaticano...

Margarida disse...

O golpe das "sondagens" é velho e revelho e não passa de propaganda baratucha para condicionar consciências. Pois afinal ninguém controla o trabalho das empresas que fazem essas mesmíssimas sondagens, não é verdade? E se há empresas honestas também há as desonestas, por isso muitas das vezes elas não "acertam".

Mas tentar passar por sondagem o que faz o STL só por si é aldrabice, seja com sms seja com cupões. Uma sondagem pressupõe uma amostra representativa de uma determinada população, ora toda a gente compreende que se o STL imprimir 1000 exemplares e um determinado partido (ou candidato)mandar comprar digamos 501 desses mesmos exemplares passa a ter automáticamente a maioria nessa "sondagem" à moda do STl...

Não brinquemos pois com coisas sérias e fez muitíssimo bem o Lu'Olo em alertar para essa vigarice!

R. Matos disse...

Democracia tem também suas regras.

Na sistema democrático, todos tem direito de se expressar livremente mas sempre dentro de maior responsabilidade, maior respeito p/outros. Esses limites garantem a coesão e harmonia social.

Liberdade de Imprensa não significa anarquia de imprensa.

Liberdade de Imprensa significa, fundamentalmente: brio/ética profissional e respeito pelos leitores.

A STL tem vindo a demonstrar que nao adopta estes principios.

Os meios de comunicacao social devem informar correctamente o público e dar oportunidade de as pessoas/organizacoes se manifestarem livremente sobre assuntos do seu interesse.

Os meios de comunicacao social devem ser veiculos de transmissao da verdade e não de intriguices, mentiras, versões fantasiosas.

Os meios de comunicacao social nao devem contribuir para lancar confusao no seio dos leitores/ouvintes/telespectadores.

Os meios de comunicacao social tem também uma funcao educativa.

A STL nao tem tido este papel fundamental em Timor-Leste.

As tais pesquisas de opiniao publica sao os mais recentes exemplos da sua atitude negativa na sociedade timorense.

Os profissionais dos meios de comunicacao social constitui uma classe que, pela natureza da sua actividade, merece todo o respeito da sociedade. Mas, antes de mais, é essa classe que deve trabalhar para merecer esse respeito.

Mas isso nao tem acontecido com a STL pois a sua prática tem sido um insulto à classe jornalista.

Tenho recebido praticamente todos os jornais publicados em Timor-Leste e por isso tenho acompanhado toda a evolucao da situacao dos ultimos tempos. E sinto-me muito preocupado com o papel negativo desempenhado pela STL.

Esse jornal é, de facto, nacional ou, por mero acaso, é editado em Timor-Leste?

Qualquer organizacao politica está no seu direito de exigir transparencia em pesquisas de opiniao. Faz tambem parte do seu direito recusar a participar nas manipulacoes que aparecem com a capa de "pesquisa de opiniao".

Margarida disse...

Transcrição por não estar on-line:

A Diferença

Público, 18/03/07
Por: Rui Araújo, Provedor do Leitor

Há muito que tenho o jornalista Adelino Gomes como um exemplo profissional – como haverá poucos, deixe-me sublinhar. Por isso, quando os jornalistas exemplares cometem deslizes custa-nos a todos muito mais.

Na edição do dia 6 de Março, Adelino Gomes publicou uma entrevista com o primeiro-ministro de Timor-Leste, Ramos Horta (pág. 13). E creio que cometeu o erro de ter bebido excessivamente das palavras do seu entrevistado – na linguagem popular dir-se-ia que foi mais papista que o Papa. Na entrada da entrevista, o jornalista escreve: “À frente nas sondagens, Ramos-Horta desvaloriza as manifestações de apoio da juventude ao major rebelde Alfredo Reinado”. Ora, ao escrever que o actual primeiro-ministro estará à frente das “sondagens”, o jornalista remete-nos para um universo no qual haveria uma série de institutos de sondagens, credíveis, em Timor-Leste, a tentar antecipar o resultado das eleições de Abril. Tal, como creio que o Provedor do Leitor saberá, não existe em Timor-Leste.

É o próprio Ramos-Horta que refere, no último parágrafo da entrevista, que até agora foi feita apenas uma sondagem (e será que um conjunto de perguntas – e a quantas pessoas? – faz uma sondagem?; para o jornalista Adelino Gomes não existem diferenças entre uma sondagem, de base científica, e um inquérito, feito pela própria redacção?) e que foi feita telefonicamente. Atrever-me-ia a dizer que, em Timor-Leste, 80 por cento da população não tem telefone; que no interior do país apenas uma pequeníssima minoria o tem; e que é este sector da população, o tal desprovido de telefone, que vota de olhos fechados no candidato da Fretilin.

Caro Provedor, considero pois que tal afirmação carece de confirmação e considero um manifesto exagero que o Público assuma que o Ramos-Horta está à frente nas “sondagens” (como foi feito por Adelino Gomes na entrada do seu texto). Para mais, para o leitor médio português, o que ficará desta entrevista (quantos leitores não lêem apenas as entradas?) é que Ramos-Horta se prepara para ganhar as eleições. É que, ainda por cima, a entrada conjugada com o título possibilita a leitura de que o próprio Ramos-Horta está a falar da sua eventual vitória eleitoral, concluindo que a sua eleição a Presidente não corre riscos – “Eleições não estão necessariamente em perigo”.

Perdoe-me a ousadia, caro Provedor, mas às vezes até os jornalistas exemplares se distraem excessivamente. Parece-me uma evidência afirmar que os jornalistas devem sempre confirmar as informações dos seus entrevistados, sobretudo quando depois decidem assumi-las em discurso afirmativo do seu próprio jornal. Neste caso, isso não aconteceu e enganou-se os leitores”, escreve Maria Santos, uma leitora de Torres Novas.

Os reparos são pertinentes. Solicitei, portanto, um esclarecimento a Adelino Gomes.

“A leitora tem razão. Errei ao escrever sondagens. ‘Inquérito’ estaria mais certo. Mas essa opção obrigar-me-ia a acrescentar ‘telefónico feito por um jornal local’, o que se tornaria impossível, dado o limite de caracteres da entrada. De qualquer modo a minha obrigação era encontrar a palavra mais adequada, o que, manifestamente, não fiz. Agradeço a chamada de atenção. Mesmo achando que a leitora exagera nos considerandos sobre o ‘leitor médio’ e na sofisticada ‘leitura’ que entendeu fazer de que o trabalho poderia passar a mensagem de que aleição de Ramos-Horta não corre riscos”, respondeu o jornalista.

Pedi a Adelino para explicitar as condições em que foi elaborado o referido texto.

“Tratava-se de uma entrada para uma rubrica chamada “Três perguntas a…”. Por razões de espaço (neste caso - algo de raro -, dispunha, no total, de mais caracteres, o que só vim a saber já sobre a hora de fecho) tornou-se necessário aproveitar não três mas as quatro perguntas que eu fizera originalmente a Ramos-Horta.

Ao fazê-lo, porém, tivemos que transformar as ‘Três perguntas a’ em…’Entrevista com’. E isso implica, graficamente, a necessidade de fazer uma entrada com menos de metade dos caracteres da anterior, seguida de um pequeno texto introdutório.

Ora, este serve, numa entrevista, para dar ao leitor certas informações que relevam da observação directa do entrevistador – entre outros dados, o local onde decorreu, a forma como o entrevistado se apresenta, etc. – questões que não poderia incluir pois as respostas haviam-me chegado por e-mail.

A solução acabou por ser ditada pela urgência: entrada brevíssima e o tal texto introdutório um pouco mais longo. Este, porém, voltou a não me sair isento de crítica. Embora deva dizer que a formulação – ‘Na bolsa das sondagens presidenciais, feita por um jornal de DÍli’ – corresponde mais à ideia que faço e julgo que (não é piada à leitora…) que o ‘leitor médio’ fará deste tipo de duelo político: uma espécie de bolsa em que diferentes factores, nem sempre os mais recomendáveis, vão determinando as posições relativas dos candidatos.

Em resumo: entrada e texto introdutório (alguns voltam a chamar-lhe, pelo seu carácter um pouco vago e subjectivo, ‘nariz de cera’, como antigamente se designavam os textos gongóricos com que abriam as reportagens) ficaram muito aquém do que eu gostaria agora de estar aqui a defender. Pela criticada falta de rigor e, no caso do segundo, porque resultou num produto algo repetitivo em relação à entrada.

Nem de propósito: há minutos, fui informado de que o mesmo jornal (Suara Timor Lorosae, acabei de saber) fez manchete, hoje, sexta-feira (09/03/2007), com o resultado de novo inquérito telefónico. Resultado que desta vez, a fazer fé na fonte, (o jornal em questão escreve quase toda a sua edição em língua indonésia), inverteu os números de há uma semana: Lu-Olo esmagadoramente à frente de Ramos-Horta…

São evidentes as limitações deste tipo de trabalho. O próprio Horta, de resto, falava delas na entrevista, comobem assinala a nossa leitora. Mas penso que, não há possibilidade de lhe escapar, em termos jornalísticos. Nem em Timor-Leste, nem aqui. Com a vantagem, no que respeita a Portugal, de este tipo de informação, dada a distância, funcionar mais como uma curiosidade.”

Nada a acrescentar.